
Quem observa o veleiro sumindo na linha do horizonte, certamente exclamará: “JÁ SE FOI”. Terá sumido? Evaporado? Não, com certeza. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz de levar ao porto de destino as pessoas e cargas recebidas, como quando zarpou do cais. O veleiro não evaporou; apenas não podemos mais vê-lo. Mas continua o mesmo. E talvez naquele exato instante em que alguém diz: “JÁ SE FOI”, haverá outras vozes, em outra dimensão, a afirmar: “LÁ VEM O VELEIRO”.
Assim é a morte.Quando o veleiro, parte levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “Já se foi”. Terá sumido? Evaporado? Não; apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo; seus dons e suas conquistas persistem dentro do mistério divino. Nada se perde a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “JÁ SE FOI”, no além outro alguém dirá: “JÁ ESTÁ CHEGANDO”.
Chegou ao destino levando consigo todas as aquisições feitas durante a vida terrena. Nela, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, de acertos e erros, até que resolva desfazer-se do que julga não mais necessário. A vida é feita de PARTIDAS E CHEGADAS. De idas e vindas. Assim, o que para uns é a partida, para outros é a chegada.
Portanto um dia, todos nós partiremos como seres imortais que somos indo ao encontro Daquele que nos criou.